É
noite. Pelusita, um coelho todo branco, está muito ocupado procurando as
melhores folhas comestíveis enquanto Princesa, sua companheira marrom clarinha,
está quieta olhando o céu estrelado.
-
Olha essa estrela! – disse de repente Princesa.
-
E é hora de olhar estrelas? - responde Pelusita - se preocupa com comer que
daqui a pouco amanhece e teremos que recolher-nos à toca.
-
Mas é uma estrela diferente! Tão diferente!
-
Pára de olhar estrelas e cuida de comer, que tens que alimentar os filhotes que
levas na barriga.
Princesa
vai até onde Pelusita está comendo e também começa a comer, mas não esquece a
estrela.
-
É mesmo uma estrela muito diferente, que será que ela anuncia?
-
E desde quando as estrelas anunciam alguma coisa, mulher? – responde Pelusita –
servem só para enfeitar o céu.
Quando
começam a sair os primeiros raios de sol, o casal de coelhos volta para a toca.
Quando estão entrando ouvem vozes de pessoas e animais vindos do outro lado da
moita sob a qual tinham cavado a toca. Curiosos, contornam a moita devagarzinho
e vem um grupo grande de pessoas com camelos, cabras e outros animais.
De
uma cesta sai um filhote de gato que logo os vê e sai correndo em direção a
eles.
Os
coelhos tomados de um tremendo susto, voltam correndo para a toca. O gatinho os
segue, e entra atrás deles.
Gatos
tem sido sempre um perigo para os coelhos, mas este filhote era diferente.
Foi
logo falando: - Olá coelhinhos! Não tenham medo! Eu quero ser amigo de vocês.
Pelusita
desconfiado disse – desde quando gatos gostam de coelhos?
-
E não gostam? – responde o gato - Eu não sabia! Eu gosto de vocês e quero ter
amigos, estou tão sozinho!
-
Sozinho no meio de tantos animais? Conta outra! – disse Pelusita, se espremendo
no fundo da toca e cobrindo com seu corpo a Princesa.
-
Camelos e cabras são muito grandes para mim, e além do mais, minha menina não
me deixa ficar longe dela, não sei como ainda não veio atrás de mim! –
respondeu o gatinho.
Princesa
assoma o focinho por trás do Pelusita e pergunta: - qual é teu nome?
Pelusita
a repreende: - fica escondida mulher!
-
Me chamo Pikitito – responde o felino – foi o nome que minha menina me deu
porque sou muito pequeno.
-
E é mesmo! Não vê Pelusita que ele é pequeno demais para nos fazer mal?
Ouvem
uma voz de criança chamando: - Piki!! Pikitito!!
-
É ela – diz o gatinho – vou embora antes que ela comece a chorar, mas depois eu
volto, tchau.
-
Gato procurando fazer amizade com coelho, vê se pode! – resmunga Pelusita, e se
acomoda para dormir.
-
Ele é bem meigo – responde Princesa – e se deita junto ao Pelusita.
Quando
sol começa a baixar, os coelhos acordam e saem da toca para procurar comida e
água.
Vão
com cautela, pois a proximidade de pessoas e animais grandes os assusta.
Quando
estão perto do olho d' água, ouvem a voz do gatinho da noite anterior
chamando-os:
-
Coelhinhos!! Cadê vocês? Ah, estão ai! E se acerca para beber também.
-
Partimos logo que a noite feche – foi informando, mesmo sem ninguém ter-lhe
perguntado nada.
-
Vão para onde? - Quis saber Princesa.
-
Para Belém, ver o Rei que vai nascer.
-
E como é que sabe que tem um rei nascendo tão longe? – quis saber Pelusita que
ainda desconfiava do Pikitito.
-
Pela estrela, vocês não viram a estrela? A caravana onde estou é de uns reis do
Oriente. Já levamos mais de um mês seguindo a estrela, por isso viajamos de
noite.
-
A estrela!!! Eu não disse que era uma estrela diferente? Eu vi sim, é linda! –
disse Princesa – ah! como eu gostaria de ver o Rei que vai nascer!
-
Que idéia – responde Pelusita – até parece que a gente pode sair mundo afora
por lugares desconhecidos!
-
Por que vocês não vêm comigo? Meu cesto é bem grande, e comida não vai faltar,
minha menina é filha da cozinheira da caravana e adora bichinhos peludinhos,
ela vai cuidar bem de todos nós.
-
Vamos Pelusita! Vamos!! – pede a coelha.
-
É muito perigoso, esqueça – responde o coelho.
-
Piki!! Pikitito! – chama a menina que vem andando com um imenso cesto nos
braços – ai está você! E que lindos coelhos!!
-
Rápido, pulem dentro da cesta! – disse Piki quando a menina pôs o cesto no
chão.
Mas
Pelusita saiu correndo para se esconder, Princesa ficou indecisa, mas o sorriso
da menina era tão doce que decidiu pular dentro da cesta junto com Piki.
Pelusita não querendo deixar sua mulher sozinha correu e também pulou para
dentro da cesta. Assim começou um passeio emocionante para o casal de coelhos
que nunca tinha se afastado do lugar em que nasceu.
Ainda
é noite quando a caravana pára frente a uma gruta. Os reis entram carregando
nas mãos uns cofres. Os criados arrumam os animais e procuram água para
dar-lhes. É o momento que Pikitito e o casal de coelhos aproveitam para pular
do cesto e entrar na gruta.
Andando
bem juntinho da parede para não serem vistos, eles chegam até o fundo da gruta
onde uma bela e jovem senhora tem nos braços um bebê recém nascido. Ao seu lado
um senhor de olhar bondoso recebe das mãos dos reis do Oriente, os cofres,
presentes para o Rei recém nascido.
Também
tem um grupo de pastores num canto olhando embelezado a cena.
-
Que criança bonita! - exclama Princesa.
Depois
dos cumprimentos os reis do Oriente se retiram, e logo atrás os pastores também
saem para retornar ao cuidado de suas ovelhas.
Os
três bichinhos querem se acercar mais e chegam pertinho da família. Quem
primeiro vê os animais é a senhora e chama a atenção do marido
-
José, veja essa coelha, parece que está para ter cria. Arruma um cantinho para
ela.
José
arruma umas palhas num cantinho afastado e chama os coelhos. – Bem na hora –
fala Princesa, e corre para o monte de palha para arrumar seu ninho.
-
Piki!! Cadê você? Estamos indo embora, Piki!! – se ouve a voz da menina.
-
Está na hora de partir – disse Piki – adeus amigos! – e sai correndo.
Princesa
tem 6 lindos filhotes que arruma direitinho cobrindo-os com seus pelos, e logo
todos dormem cansados das emoções do dia.